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2011-05-15

I've been running my whole life

...now it's time for me to stop


Eu acho que sempre soube. Sempre soube que chegaria esse momento em que todos me odeiam. E, veja bem, não é que eu não mereça. Eu nasci tão fora do padrão, mas tão fora do padrão, que não existe mais nada que me conserte. Eu nunca vou conseguir deixar de ser quem eu sou, esse é o meu problema. Se eu conseguisse, tudo seria muito mais fácil. Seria perfeito. Mas não consigo. E não adianta pedir desculpas por isso, é o tipo de coisa que não tem conserto nem perdão. Corroborando a teoria de que a gente escreve sem nem saber que está prevendo a própria vida, há muito tempo eu escrevi que existe um certo prazer em errar por si só, sem a ajuda de ninguém. Hoje eu digo também que existe uma certa liberdade em ser odiado e/ou desprezado. Só agora, quando todos me olham torto e pensam horrores de mim, eu me sinto um pouco mais livre. É como se finalmente pudessem ver um pouquinho, só um pouquinho, do que eu realmente sou. E o que eu sou é isso, essa parte egoísta e ruim que só prejudica, só atrapalha. Mesmo com os exageros, eles estão pegando um pouco da essência. Eu já estou tão acostumada com o que me dizem, de eu ser a pior pessoa do mundo, de ser essencialmente ruim e tudo o mais, que acredito, realmente acredito. Sempre acho que tudo de bom que eu faça é automaticamente anulado pelo resto e não ajuda muito o fato de que não percebem quando eu faço esse algo bom. Eu me surpreendo, eu sempre me surpreendo, quando alguém me apóia. Já me parece tão automático e natural não ter ninguém que me diga está tudo bem, eu estou aqui com você que estranho quando acontece. Desconfio, olho meio de lado, acho interessante, e então percebo quando é sincero e morro de chorar. Eu sou fria e insensível pra muita coisa nessa vida, mas a isso eu não resisto. Não resisto a essa insistência em gostar de mim mesmo vendo todos os meus defeitos de fabricação, todas as minhas paranóias, toda a carga fodida de vida que eu trago junto. Veja bem, eu não reclamo. Só não sei lidar. Não sei lidar porque parece injusto, tão injusto, que eu não possa ser uma pessoa melhor pra quem gosta de mim. Parece tão injusto que quem supostamente deveria me apoiar – a família – sejam sempre os primeiros a me jogar as pedras. Eu sou, sim, todo aquele catálogo de imprecações e mais um pouco. Nunca discordei disso, não tenho nem pra onde fugir. Mas também sou um pouquinho mais que isso, também existe o catálogo de coisas boas, e eu tento me convencer disso, sempre e sempre, mas é difícil. Talvez um dia, daqui a muito e muito tempo, eu consiga. Mas eu sempre soube, de algum jeito, que seria assim e talvez até seja por isso que eu me saboto tanto. Eu quero ver as coisas dando errado. Eu quero provar que existe tudo isso aí de errado em mim antes que realmente exista algo bom. Atingir o bem esgotando todos os caminhos do mal.

*

Acho que eu soube também, desde o começo, e olha que nem faz muito tempo, que estava finalmente no caminho certo. O caminho certo, pra mim, foi o mais cheio de reviravoltas e mudanças e tudo o mais, e não me arrependi. Veja só, às vezes eu realmente penso em desistir, mas não por tua causa, é porque eu não sou tão forte assim. Às vezes eu simplesmente não consigo. E eu nunca vou conseguir agradecer o suficiente, sabe. 

Eu tinha escrito, há alguns dias, que não sabia escrever pra ti porque o que eu quero dizer às vezes parece que não precisa de palavras; e eu sempre precisei de palavras. Eu preciso tanto delas agora, por um milhão de motivos que tu sabe quais são e que seria desnecessário repetir, que seria um absurdo eu não escrever. Existem alguns momentos muito específicos que nos fazem amar as pessoas. Na maioria das vezes eles duram apenas alguns segundos. Acho que foi assim que eu me apaixonei, e acho que ainda é assim, entre outras coisas, que eu continuo me apaixonando todo dia.

2011-05-10

Preste atenção, o mundo é um moinho

Já me perguntaram algumas - muitas - vezes se eu sou uma pessoa impulsiva, e eu costumo responder que não, não sou. Hoje em dia, entretanto, acho que eu daria uma resposta diferente. Isso de ser ou não impulsivo é uma definição muito simplista e eu não gosto muito dessas definições muito simplistas, eu sempre arranjo mil novas maneiras de dizer as coisas mais simples, mas enfim. O fato é que never lost control está, aos poucos, deixando de ser a minha ~filosofia de vida~. Porque eu aprendi - em tempo recorde, veja só - que as melhores coisas acontecem quando a gente perde o controle. Eu tenho perdido o controle sobre muitas coisas na minha vida e isso tem sido uma das melhores coisas que eu já fiz. Esse ano tá sendo meio que um 2007 reloaded, em que tudo acontece ao mesmo tempo, em que tudo muda ao mesmo tempo. Tenho medo de mudanças, confesso. Sou desconfiada por natureza. E às vezes, assim, só de vez em quando, eu dou abertura para essas mudanças e elas viram a minha vida de cabeça pra baixo e voilà. Existe tanta, tanta coisa acontecendo agora que às vezes eu acho que vou explodir. E aí eu não explodo, porque never lost control tá aí pra isso. É engraçado, chega a ser irônico, como os melhores momentos da minha vida sempre são aqueles em que há algo muito tenso acontecendo simultaneamente. É o tipo de coisa que embaralha as lembranças, mas que, talvez um dia daqui a muito, muito tempo, me faça ter um olhar mais doce sobre algo que não é assim agora. Mas por enquanto deixa assim, que eu quero ver no que vai dar. Deixa assim, com tudo simplesmente acontecendo, e vamos ver no que vai dar.

2011-05-06

This too shall pass

Existe, de vez em quando, aquele estranho momento em que eu confundo a minha vida com a de algum personagem meu. Mais especificamente com a do Will. Aquele momento em que eu lembro de ter feito uma coisa, e depois de cinco segundos parar e pensar "OH WAIT, quem fez isso foi o Will, não eu". É estranho, muito estranho, mas de alguma forma é também reconfortante. Saber que ele está ali, tanto, tanto, que às vezes simplesmente se confunde comigo. E, pra falar a verdade, nem é tão estranho assim. Se são partes de mim, o mínimo que eu posso esperar é esse reconhecimento.

Estão todos parados agora. Esse ciclo de escrever - não escrever existe desde que o mundo é mundo (-n), então é incômodo, sim, mas eu sei que passa. E enquanto não passa, é bom saber que eles ainda estão aqui, na minha pele, em mim, em todo lugar, como nesses momentos.

2011-05-02

It's okay now


Eu tinha pensado em outras formas de dizer isso, mas acho que nenhuma é melhor que a mais simples: está tudo bem agora. Eu gostaria de dizer isso de alguma forma mais direta, mas acho melhor não. Não sei se a essa altura do campeonato você ainda passa por aqui (é bem coerente que não passe, afinal), mas enfim. A informação sempre encontra lá os seus meios de chegar.

Durante muitos e muitos meses eu só conseguia pensar puta que pariu deu tudo errado que merda quando olhava pra trás e hoje, especificamente hoje, exatamente hoje, eu já consigo pensar que aconteceu por um motivo e não focar apenas no que deu errado. Hoje, exatamente hoje, eu posso dizer que está tudo bem da minha parte. Não é que eu tenha esquecido (nem o que foi bom, nem o que foi ruim), é só que... bem, a única expressão que consigo imaginar pra isso é let it go. Eu não sei lidar com passado, fujo dele o tempo todo, então acredito que isso seja um avanço. Ainda tenho lá minhas paranóias de ser eventualmente odiada por mal entendidos, mas isso é normal, afinal meu segundo nome é paranoid parrot.

Eu poderia simplesmente pensar tudo isso e não dizer nada em lugar nenhum, mas eu gosto de deixar algumas coisas registradas. Acho importante.